22 de outubro de 2025
Diabetes e saúde bucal: entenda os riscos e como cuidar
Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas com diabetes no Brasil pode chegar a aproximadamente 20 milhões. Esse dado se baseia nos resultados do último levantamento amostral realizado pelo Ministério da Saúde nas 27 capitais brasileiras, que identificou uma frequência de 10,2% de diagnóstico autorreferido de diabetes entre a população entrevistada.
O Brasil é o 6º país no mundo com maior número de pessoas com diabetes e ocupa a 3ª posição em casos de diabetes tipo 1, que afeta cerca de 600 mil brasileiros.
O que é a diabetes
Diabetes é uma doença crônica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. Isso ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não consegue utilizar a insulina de forma adequada.
Existem três tipos principais:
- Diabetes tipo 1: o corpo produz pouca ou nenhuma insulina.
- Diabetes tipo 2: o organismo não utiliza a insulina de maneira eficiente.
- Diabetes gestacional: surge durante a gravidez e exige atenção especial.
Diabetes e saúde bucal
Diabetes e saúde bucal estão diretamente conectados. A doença pode favorecer problemas como gengivite, cárie e infecções, devido à circulação sanguínea comprometida e à cicatrização mais lenta. Por outro lado, uma saúde bucal deficiente pode dificultar o controle da diabetes, criando um ciclo perigoso para a saúde geral.
Sinais de alerta para atenção imediata na saúde bucal
Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes não sabe que tem a doença, já que os sintomas podem demorar a aparecer ou passarem despercebidos nos estágios iniciais. Por isso, é muito importante estar alerta aos sinais que o corpo dá.
Se você apresenta um ou mais desses sinais, fique atento: eles podem indicar complicações bucais causadas pela diabetes:
- Gengiva vermelha, dolorida e inchada.
- Sangramento ao escovar ou passar fio dental.
- Retração gengival (quando os dentes parecem mais longos).
- Dentes moles ou sensíveis.
- Mau hálito persistente.
- Sensação de que os dentes estão “mudando de lugar” ao morder.
- Próteses que deixaram de se encaixar corretamente
Doenças periodontais
Pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver doenças periodontais, como gengivite e periodontite, que afetam a gengiva, ossos e tecidos de sustentação dos dentes. Infecções fúngicas, como a candidíase oral, também são mais comuns devido à imunidade baixa e boca seca, podendo causar dor e dificuldade para mastigar ou falar.
1. Periodontite
A periodontite é uma inflamação crônica que afeta os tecidos de suporte dos dentes, como o osso alveolar e o ligamento periodontal. Ela geralmente é resultado de uma gengivite não tratada.
Suas principais causas são o acúmulo de placa bacteriana/biofilme e tártaro, que provocam sintomas como sangramento gengival, inflamação e mau hálito.
Caso não seja tratada a tempo, a periodontite pode evoluir para a perda dentária e trazer complicações sérias para a saúde bucal.
2. Gengivite
A diabetes aumenta o risco de gengivite, pois os altos níveis de glicose no sangue favorecem a proliferação de bactérias e comprometem a resposta do sistema imunológico.
O tratamento da gengivite em pessoas com diabetes envolve controle rigoroso da glicemia, higiene bucal adequada e acompanhamento regular com o cirurgião-dentista.
3. Cárie
A perda de estrutura dentária é multifatorial e ocorre com mais facilidade em pessoas com diabetes. Quando não tratada, pode evoluir com maior gravidade, aumentando o risco de infecções nos canais radiculares e necessidade de tratamento de canal.
4. Perda dentária
Pessoas com diabetes fora da meta glicêmica têm maior risco de perda dentária. Essa perda impacta a autoestima, o convívio social e a função mastigatória, dificultando o consumo de alimentos rígidos, o que pode levar à preferência por alimentos mais macios, geralmente ricos em gordura e açúcar, prejudicando ainda mais o controle glicêmico.
5. Más oclusões
Dentes fora de posição podem afetar negativamente a mastigação, a dicção e a deglutição em pessoas com diabetes de todas as idades, comprometendo a qualidade de vida e dificultando o controle glicêmico.
6. Hipossalivação
A boca seca, causada pela redução do fluxo salivar (hipossalivação), é mais comum em pessoas com diabetes. Essa condição pode alterar o paladar, causar mau hálito e favorecer o aparecimento de outras doenças bucais.
Tratamentos e cicatrizações
Tratamentos odontológicos também podem ser impactados pela diabetes. Procedimentos como implantes e cirurgias orais apresentam maior risco de complicações em pacientes com níveis de glicose descontrolados, devido à cicatrização mais lenta e ao aumento do risco de infecções.
Para reduzir esses riscos, é fundamental que a pessoa mantenha um controle rigoroso da glicemia e siga uma rotina de higiene bucal cuidadosa:
- Escovar os dentes ao menos duas vezes ao dia com creme dental com flúor.
- Usar fio dental diariamente.
- Evitar o consumo excessivo de açúcar.
- Fazer visitas regulares ao cirurgião-dentista para check-ups e limpezas.
Esses cuidados ajudam a prevenir complicações e permitem detectar precocemente qualquer alteração bucal.